AGENDA ESTRATÉGICA PARA O BRASIL
Primeira proposta para debate
O país não avançará se não
houver diretrizes que orientem sua trajetória rumo ao futuro. Por isso, a AÇÃO POLÍTICA EMPRESARIAL, por meio da Rede de Participação
Política do Empresariado, está estimulando a elaboração coletiva de uma Agenda Estratégica para o Brasil.
O documento resultante deste
trabalho conjunto servirá de norte para que os administradores públicos e a sociedade, unidos, promovam o nível de desenvolvimento
sustentável de que o país necessita. Ele conterá propostas claras e exeqüíveis em seis áreas e será entregue, oportunamente,
aos candidatos às eleições de outubro.
O texto que segue, elaborado
a partir de contribuições de diversas pessoas, é a primeira proposta para discussão e está aberto para receber emendas, críticas
e sugestões. Para que você dê sua opinião e participe da elaboração coletiva deste documento, basta entrar na página www.redeempresarial.org.br.
Rede de Participação
Política do Empresariado
Princípios gerais:
I - Estabelecer um novo modelo
de desenvolvimento, baseado numa política macroeconômica pró-crescimento, no aumento da competitividade das empresas e da
cooperatividade social
II - Preservar a estabilidade
III - Reduzir os impostos
IV - Reorientar o gasto público
em favor do aumento dos investimentos, em detrimento dos gastos correntes
V - Fortalecer a segurança
jurídica e melhorar a segurança pública
VI - Priorizar os esforços
para melhoria da educação
VII - Criar um ambiente social
e institucional favorável ao empreendedorismo e ao exercício do protagonismo das populações
Medidas Prioritárias:
1 - REFORMA POLÍTICA
2 - REFORMA FISCAL (gastos e tributos)
3 - SEGURANÇA JURÍDICA E SEGURANÇA PÚBLICA
4 - INFRA-ESTRUTURA
5 - EDUCAÇÃO
6 - REFORMA ADMINISTRATIVA (governança e governabilidade)
1 - REFORMA POLÍTICA
1.1 - Princípios
gerais:
1.1.1 - Fortalecimento do sistema representativo.
1.1.2 - Fortalecimento dos partidos.
1.1.3 - Fiscalização popular dos mandatos.
1.1.4 - Aplicação de princípios éticos à atuação dos políticos.
1.1.5 - Ampla publicidade dos atos executados pelos representantes nas esferas dos poderes Executivo
e Legislativo.
1.2 - Propostas Específicas:
1.2.1 - Revisão Constitucional
para estancar o processo de remendos da Constituição (que, em 18 anos já recebeu 52 emendas) e para obter uma Carta atualizada
e contemporânea.
1.2.2 - Controle externo
das campanhas (punição rigorosa para Caixa 2, auditorias independentes nas contas partidárias, transparência na prestação
de contas on line e em tempo real, identificação do doador e do volume de recursos).
1.2.3 - Mudança do sistema
eleitoral (fim da reeleição para cargos executivos, limite de reeleição para cargos legislativos, voto distrital misto, redução
do número de parlamentares, restrições à criação de novos municípios, voto facultativo, perda de mandato por corrupção, cassação
sumária de registros de candidaturas por abuso de poder econômico).
1.2.4 - Reforma do Regimento
Interno do Congresso Nacional (fim do voto secreto, extinção das verbas de gabinete, fortalecimento do Conselho de Ética).
1.2.5 - Reforma partidária
(democratização dos partidos, fidelidade partidária, manutenção da cláusula de barreira, revogabilidade dos mandatos).
1.2.6 - Estabelecimento de
instrumentos de participação da sociedade que possam ser utilizados em conjunto com aqueles previstos pela democracia representativa.
1.2.7 - Educação para a cidadania.
2 - REFORMA FISCAL (gastos e tributos)
2.1 - Princípios
gerais:
2.1.1 - Diminuir gradativamente
a carga tributária, com base em um programa de redução dos gastos públicos.
2.1.2 - Eliminar tributos
em cascata e padronizar alíquotas, bases de incidência e procedimentos burocráticos entre os estados e municípios.
2.1.3 - Minimizar os efeitos
negativos da estrutura de tributos sobre a poupança, o investimento e a intermediação financeira.
2.1.4 - Simplificar o sistema
tributário, reduzindo o número de taxas, impostos e contribuições, para facilitar a sua administração pelos setores público
e privado.
2.2 - Propostas específicas:
2.2.1 - Reduzir significativamente
a alíquota da CPMF.
2.2.2 - Reduzir o FGTS e
o PIS/Pasep.
2.2.3 - Expandir gradativamente
a Desvinculação das Receitas da União (DRU), reduzindo o engessamento do uso dos recursos públicos.
2.2.4 - Transformar o IPI
em um imposto sobre bens específicos, aplicando-o apenas ao fumo, às bebidas e aos automóveis (eliminando-se tal tributação
sobre os demais itens).
2.2.5 - Unificar e simplificar
a legislação e as alíquotas do ICMS (que passariam a ser as mesmas em todo o território nacional) e adotar o princípio de
destino na sua tributação.
2.2.6 - Unificar a Cofins
e o PIS-Pasep em uma única contribuição e fazer o mesmo com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido.
2.2.7 - Modificar o sistema
de partilha dos tributos, de sorte a incidir sobre o conjunto de todos os impostos e contribuições arrecadados pela União
(ao invés de apenas sobre o Imposto de Renda, o IPI e a CIDE).
2.2.8 - Aprovação do Código
de Defesa do Contribuinte, paralisado no Congresso Nacional.
3 - SEGURANÇA JURÍDICA E PÚBLICA
3.1 - Princípios
gerais para a Segurança Jurídica:
3.1.1 - Consolidar uma nova
cultura regulatória, baseada no respeito aos contratos e no fortalecimento da autonomia decisória das agências reguladoras.
3.1.2 - Fortalecer a coordenação
estatal (não-governamental) entre as agências reguladoras.
3.1.3 - Desestimular o ativismo
judicial em todas as áreas, sobretudo na área de infra-estrutura (para que possa contar com investidores privados).
3.1.4 - Consolidar institucionalmente
as atividades de regulação e fiscalização ambiental, facilitando sua atuação coordenada e viabilizando sua agilização (e desburocratização).
3.2 - Propostas específicas
para a Segurança Jurídica:
3.2.1 - Promover a informatização
de todas as esferas do Poder Judiciário, facilitando o acesso aos dados e agilizando os processos.
3.2.2 - Otimizar o uso dos
recursos humanos, alocando-os de forma adequada nas atividades-meios e atividades-fins.
3.2.3 - Facilitar o acesso
da população aos serviços jurídicos, com a efetivação das defensorias públicas em todos os estados e na União.
3.3 - Princípios
gerais para a Segurança Pública:
3.3.1 - Aumentar a eficiência
e a eficácia dos serviços prestados pela polícia investigativa (civil), ostensiva (militar) e pela Polícia Federal.
3.3.2 - Aumentar a eficiência
e a eficácia das corregedorias dos órgãos de polícia, coibindo a ação de profissionais corruptos.
3.3.3 - Eliminar o problema
da superlotação carcerária e o uso das delegacias como presídios improvisados.
3.3.4 - Aumentar a sinergia
entre todas as forças nacionais de segurança.
3.4 - Propostas específicas
para a Segurança Pública:
3.4.1 - Promover um amplo
programa de investimentos em equipamento e constante treinamento e aperfeiçoamento das polícias.
3.4 2 - Implantar um programa
de remanejamento de efetivos, privilegiando a alocação de pessoal nas atividades fins (investigação e repressão ao crime).
3.4.3 - Implementar um programa
de reforma e construção de presídios convencionais e de segurança máxima.
3.4.4 - Suprimir benefícios
legais que diminuem penas para crimes de lesa-pátria e ampliar as punições para crimes hediondos (como homicídio, latrocínio
e estupro), tráfico de drogas e crime organizado.
3.4.5 - Reduzir a idade da
imputabilidade penal.
3.4.6 - Estabelecer punições
mais rigorosas para menores infratores que cometerem crimes violentos, como estupro, latrocínio, seqüestro e tráfico de drogas.
4 - INFRA-ESTRUTURA
4.1 - Princípios
gerais:
4.1.1 - Investir maciçamente em infra-estrutura.
4.1.2 - Reestruturar os gastos
públicos, reduzindo os gastos correntes, de forma a permitir um aumento dos investimentos em obras pela administração pública
e as estatais.
4.1.3 - Modernizar e ampliar
o sistema de transporte do país.
4.1.4 - Modernizar e ampliar
a estrutura portuária e aeroportuária brasileira.
4.1.5 - Estimular a utilização
de alternativas de transporte como a fluvial e a navegação de cabotagem.
4.1.6 - Ampliar a oferta
de água tratada e rede de esgoto.
4.2 - Propostas específicas:
4.2.1 - Oferecer condições
para que o investimento na geração de energia elétrica eleve-se a uma média anual de R$ 7 bilhões, nos próximos dez anos,
afastando assim o risco de racionamento caso a economia cresça a médias superiores a 3,5% ao ano.
4.2.2 - Efetivar as Parcerias
Público-Privadas (PPPs) e reformulá-las, introduzindo mecanismos de controle de risco, para que possam ser utilizadas pelo
governo como instrumento preferencial nos seus projetos de investimento.
4.2.3 - Completar os marcos
regulatórios em transporte, eletricidade e saneamento.
4.2.4 - Estimular investimentos
em fontes alternativas de geração de energia elétrica, como biomassa, eólica e nuclear.
4.2.5 - Retomar o programa
de privatizações e concessões, adotando como princípio financiar o máximo razoável do investimento por meio da cobrança de
tarifas (tornando possível ao setor privado atuar comercialmente sem a necessidade de subsídios públicos).
4.2.6 - Ter como meta aumentar
em 2% do PIB os investimentos anuais em infra-estrutura, desenvolvendo para tanto instrumentos adequados para administrar
riscos e facilitar o financiamento dos projetos.
5 - EDUCAÇÃO
5.1 - Princípios
gerais:
5.1.1 - Estabelecer uma nova
política educacional, que tenha como objetivo alcançar, nos próximos 20 anos, patamares educacionais equivalentes aos dos
países que apresentam os melhores índices de escolaridade.
5.1.2 - Manter todas as crianças
na escola e melhorar a qualidade do ensino básico, reduzindo a níveis aceitáveis o insucesso escolar e suas desastrosas conseqüências
(repetência e evasão).
5.1.3 - Aumentar a eficiência
e a eqüidade no ensino superior.
5.2 - Propostas específicas:
5.2.1 - Aumentar a escolaridade
média dos brasileiros para 8 anos nos próximos 10 anos e para 11 anos nos próximos 20 anos.
5.2.2 - Universalizar a pré-escola
nos próximos 8 anos e o ensino médio nos próximos 15 anos.
5.2.3 - Estabelecer o pagamento
do ensino superior nas universidades públicas para aqueles que comprovadamente têm renda para tanto.
5.2.4 - Promover o constante
aprimoramento do corpo docente dos estabelecimentos públicos de ensino, em todos os níveis, por meio da capacitação dos professores
e melhoria salarial.
5.2.5 - Ampliar e fortalecer
as parceiras entre o setor público e o Sistema S para implantação de cursos profissionalizantes.
6 - REFORMA ADMINISTRATIVA
6.1 - Princípios
gerais:
6.1.1 - Redimensionar o tamanho
da máquina pública para promover o aumento da eficiência e da eficácia na gestão pública.
6.1.2 - Ampliar a transparência
na gestão dos recursos públicos.
6.1.3 - Criar um código que
regulamente o relacionamento entre o cidadão e os gestores públicos.
6.1.4 - Ampliar as possibilidades
de acesso do cidadão a serviços públicos de qualidade.
6.2 - Propostas específicas:
6.2.1 - Reduzir os cargos
de confiança ao mínimo indispensável à consecução das atividades legislativas e executivas.
6.2.2 - Reduzir a quantidade
de ministérios, autarquias e fundações, por meio da extinção ou fusão.
6.2.3 - Investir na criação
de uma burocracia profissional qualificada e adequadamente remunerada.
6.2.4 - Implantar sistemas
informatizados de prestação de contas ao cidadão, facilitando o acesso on-line a informações econômico-financeiras dos órgãos
públicos da administração direta e indireta.
6.2.5 - Estabelecer sistemas
de avaliação e monitoramento de resultados das ações públicas.
6.2.6 - Oferecer ao cidadão
meios facilitados de acesso a informações econômico/financeiras de empresas estatais e de capital misto.
6.2.7 - Estabelecer critérios
de aferição de qualidade e produtividade dos serviços realizados pelos servidores públicos federais, estaduais e municipais.
6.2.8 - Flexibilizar a legislação
que regulamenta o emprego público, retirando os entraves jurídicos impeditivos ou protelatórios da dispensa de servidores
cuja atuação não esteja conforme as metas de qualidade e produtividade previamente estabelecidas.
6.2.9 - Promover o contínuo
aprimoramento dos recursos humanos empregados no setor público, por meio da capacitação e treinamento de pessoal.
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