O estudo demonstrou um dado curioso: um número expressivo de eleitores acredita que a democracia pode funcionar perfeitamente
sem o Congresso ou os partidos políticos, embora isso seja tecnicamente impossível. Cerca de 30% dos entrevistados consideram
desnecessárias as duas instituições, o que confere um recado muito forte às legendas e ao Congresso.
No caso dos partidos, os índices de reprovação chegam a 80,6% em 2006 ante 67,6% em 1993 e 57,3% em 1989. O Congresso,
enquanto instituição, recebe notas pouco melhores. O porcentual de crítica em 2006 é de 71,9%. Respectivamente em 1993 e 1989,
os índices eram de 67,6% e 52,6%.
O próprio governo federal também teve altos índices de reprovação. O número foi de 65,6% neste ano ante 60,9% em 1993 e
51% em 1989. A Justiça também sofre, na média, uma avaliação negativa. Um total de 55,3% dos entrevistados apontou desconfianças
na pesquisa. Como nos outros casos, o número de críticos vem crescendo. Eram 49,3% em 1993 e 33,6% em 1989. 'A sensação da
população é de que as leis não são para todos. Basta ver o caso do caseiro Francenildo, que teve o seu sigilo bancário, protegido
pela legislação, quebrado a pedido de uma autoridade, no caso o ex-ministro Antonio Palocci', exemplificou Moisés. Com isso,
o cidadão comum perde, cada vez mais, a confiança em um dos pilares das democracias modernas.
Em curto prazo, o cientista político não vê grandes problemas na avaliação negativa das instituições, mas, em um futuro
um pouco mais distante, Moisés acredita que o fenômeno pode levar a um fortalecimento de alternativas autoritárias na política.
'É só lembrar o caso do ex-presidente Fernando Collor, que não tinha nem partido', relembrou. Para evitar isso, o professor
sugere que o governo leve adiante a proposta de reforma política. 'A fidelidade partidária e o financiamento público de campanhas,
por exemplo, são medidas que podem ajudar a diminuir estes índices de desconfiança', disse.
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