Colegiado arquiva denúncia relacionada a documento com gastos de FHC e decide apurar atuação
de ministra na venda da Varig.
A Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência da República, considerou improcedente
a representação movida por parlamentares oposicionistas contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
por causa do chamado dossiê anti-FHC. Na mesma reunião, o colegiado decidiu analisar a atuação
da ministra na venda da Varig para a VarigLog.
O padre Ernane Pinheiro será o relator do caso. De acordo com a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) Denise Abreu, Dilma teria praticado tráfico de influência na venda da VarigLog para o fundo de investimentos
americano Matlin Patterson e os três sócios brasileiros. O relator só deve pedir informações
à ministra, caso ache necessário, após a próxima reunião do colegiado, prevista para 4
de agosto.
No caso do dossiê, os senadores José Agripino (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) acusavam a ministra
de ter ordenado a elaboração de um documento com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para tentar
intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. Os líderes do DEM e do PSDB no Senado também
questionavam a declaração de Dilma de que não iria à comissão parlamentar de inquérito
porque tinha “mais o que fazer”.
Providências cabíveis tomadas
Após quatro horas de discussões, o presidente da Comissão de Ética Pública, Sepúlveda
Pertence, anunciou o arquivamento das duas representações, ressaltando que a ministra tomou todas as providências
cabíveis diante do episódio do dossiê e que a declaração atribuída a ela, no segundo
episódio, carecia de contextualização, por ter sido extraída exclusivamente de reportagem jornalística.
“As explicações dadas pela ministra Dilma Rousseff, quanto ao primeiro objeto da representação
[sobre a ordem para confecção do dossiê] convencem de que antes do seu oferecimento pelos senadores já
havia ela afirmado da confecção de um banco de dados contendo maiores informações do que as extraídas
e publicadas. E mais, que havia tomado as devidas providências para a apuração dos fatos, inclusive no
tocante à instituição de uma sindicância interna, bem como o encaminhamento para a Polícia
Federal para a devida averiguação do fato”, disse Pertence na leitura da ata da reunião da comissão.
O presidente da Comissão de Ética Pública ressaltou, de forma genérica, que os integrantes da
administração pública precisam ter cuidado com suas declarações. “Faz parte da nossa
missão lembrar a todas as autoridades que tenham cautela de evitar em suas declarações públicas
o uso de expressões que possam ser interpretadas como lesivas à harmonia entre os Poderes da República”,
afirmou.
FONTE: Congresso em Foco (Edson Sardinha)