STF concedeu habeas-corpus para os dois e mais nove presos na Operação Satiagraha; Dantas volta a ser
preso
SÃO PAULO - O ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e mais cinco pessoas envolvidas
no esquema desvendado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal deixaram a carceragem na Lapa, em São
Paulo, à 0h50 desta sexta-feira (11). Pitta, Nahas e os cinco acusados saíram em seis carros, seguidos por familiares,
e não falaram com a impressa. A libertação ocorreu seis horas após a decisão do Supremo
Tribunal Federal de libertá-los.
Pitta, Nahas e mais nove pessoas foram beneficiados por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira
(10). Na Operação Satiagraha, a PF investiga indícios de corrupção, tentativa de suborno,
lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Gilmar Mendes estendeu para eles a decisão que já
havia beneficiado, na quarta-feira, o sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, a irmã deste, Verônica
Dantas, e outros nove investigados.
Os argumentos apresentados para liberar Pitta, Nahas e os demais são os mesmos usados na quarta-feira para liberar
Dantas, ou seja, que não haveria risco de ocultação ou destruição das provas pelos investigados.
Mendes alegou que não haveria razões suficientes para manter os investigados presos. O banqueiro saiu da prisão
na madrugada desta quinta-feira, mas, à tarde, foi novamente preso em São Paulo.
O habeas-corpus concedido nesta quinta por Gilmar Mendes não beneficia Daniel Dantas.
Segundo o STF, a extensão do habeas-corpus foi concedida, além de Pitta e Nahas, para todos os outros que pediram
a extensão do habeas-corpus. São eles: Roberto Sande Caldeira Bastos, Miguel Jurno Neto, Carmine Henrique e
Carmine Henrique Filho, Antonio Moreira Dias Filho, Maria do Carmo Antunes Jannini, Fernando Naji Nahas e Marco Ernest Matalon.
Em um pedido individual, Mendes concedeu habeas-corpus a Lúcio Bolonha Funaro, também preso na Satiagraha.
Preso de novo
Desta vez, Dantas é acusado de corrupção ativa por oferecer US$ 1 milhão para subornar um delegado
da PF e evitar as investigações que levaram à sua prisão e de mais 16 pessoas na última
terça. O suborno era para livrar também sua irmã, Verônica Dantas, e Carlos Rodemburg, sócio
e vice-presidente do banco, ambos presos na operação. Diferentemente da primeira vez, Sanctis determinou a prisão
preventiva do banqueiro, e não temporária.
A Operação Satiagraha desmontou esquema de desvio de verba pública e corrupção. Nahas e
Dantas são acusados de chefiar organizações criminosas distintas: uma realizava a evasão de divisas
com um fundo de cerca de US$ 2 bilhões em um paraíso fiscal e a outra fazia lavagem de dinheiro. Pitta é
acusado de ser dono de uma conta bancária no exterior e de ser cliente de operações de câmbio irregulares
feitas por Nahas.
FONTE: O Estado de S.Paulo (Roberto Almeida)