Governo lança pacote para socorrer setor e permite que Caixa Econômica Federal também compre construtoras
Catorze dias depois de o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, ter anunciado a decisão do governo inglês
de comprar ações de bancos, com o objetivo de capitalizá-los, o governo brasileiro trilhou o mesmo caminho.
Por meio da Medida Provisória 443, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou nesta quarta-feira(22) o
Banco do Brasil e a Caixa a adquirir ações de bancos, seguradoras, entidades abertas de previdência e
demais instituições financeiras.
O BB e a Caixa poderão até adquirir o controle acionário das empresas, ou seja, estatizá-las.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Tesouro não vai capitalizar os dois bancos oficiais para fazer essas
operações. "Eles farão isso com suas disponibilidades."
Além disso, a Caixa foi autorizada a criar um banco de investimento, que comprará ações de empresas
da construção civil. Com isso, o governo espera capitalizar essas empresas e manter em andamento os empreendimentos
habitacionais. Pela mesma MP, o Banco Central foi autorizado a fazer troca de moedas (operações de swap) com
bancos centrais de outros países. O BB e a Caixa poderão ainda comprar, sem licitação, participações
acionárias em outras instituições financeiras públicas.
Mantega disse que a MP "cria mais uma alternativa" de ajuda às instituições financeiras com
problemas de liquidez provocados pela crise internacional. Ele lembrou que até agora só os bancos privados tinham
a prerrogativa de adquirir outras instituições ou promover fusões. Por isso, Mantega disse que a MP favorece
a concorrência entre os potenciais compradores.
"Nós sabemos que há problemas de liquidez em algumas instituições. Já adotamos várias
medidas para resolver a situação, como a redução do depósito compulsório (dinheiro
que os bancos são obrigados a deixar no BC), e agora estamos dando um passo a mais nessa direção",
afirmou Mantega. "Hoje, é prática usual os bancos privados comprarem outros. Com a MP, ampliamos essa possibilidade,
autorizando os bancos públicos também a fazê-lo. Assim, aumentamos as alternativas para quem tem problemas
de liquidez e a concorrência, de tal forma que a instituição que quer fazer a alienação
poderá obter um preço melhor."
Segundo Mantega, depois que o crédito e a liquidez da economia forem restabelecidos, os bancos poderão ser novamente
vendidos "a preço de mercado". O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou que a decisão
de permitir operações de swap de moedas é resultado de conversas mantidas por ele com outros presidentes
de bancos centrais. "Evidentemente não estamos aqui propondo nenhum convênio especificamente. Estamos propondo
a faculdade legal do BC de celebrar convênios caso seja necessário."
FONTE: O Estado de S.Paulo (Ribamar Oliveira)