Executivo deve entregar ao Congresso projetos de lei ainda neste ano; Segundo ministro, votações podem
ocorrer no 1º semestre de 2009.
Embora tenha aberto consulta pública para receber sugestões para a reforma política, o governo federal
afirma que não abrirá mão de "princípios" do projeto que enviará ao Congresso
ainda neste ano.
"O governo tem princípios e não vai abrir não deles, como a diminuição do peso do
poder econômico e das distorções do processo eleitoral, que são enormes. Hoje a população
vota de um jeito e os candidatos são escolhidos de outra forma. O sistema é uma fraude porque induz a erro",
diz o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Vieira Abramovay.
No fim de agosto, os ministros José Múcio, das Relações Institucionais, e Tarso Genro, da Justiça,
entregaram o esboço do projeto aos presidentes da Câmara e do Senado.
Em seguida, o governo abriu consulta pública para o recebimento de sugestões. O prazo se encerra em 15 de novembro
e, em seguida, os projetos de lei sobre os temas serão finalizados e remetidos novamente ao Congresso ainda neste ano,
segundo estimativa do governo.
De acordo com Abromovay, o governo recebeu mais de 100 sugestões. "Tem de tudo, desde pessoa física que
mandou para fazer reclamação, até a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que mandou mais estruturada,
apoiando o governo, mas colocando sugestões."
O secretário afirmou que, embora a Câmara tenha diversos projetos sobre a reforma política, o governo
decidiu mostrar que tem posição em relação ao tema. "Eles [os deputados] podem até
não votar esses projetos, mas o governo precisa mostrar que tem posição."
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Eleições proporcionais
A proposta do governo é mudar a forma de escolha dos candidatos proporcionais - vereadores, deputados estaduais e federais.
Atualmente, eles são eleitos de acordo com o quociente eleitoral. Leva-se em conta a votação total dos
partidos e decide-se quantas cadeiras cada um terá. Com isso, candidatos com votação muito elevada acabam
'carregando' outros com votação menor.
A intenção é que os eleitores passem a votar apenas nos partidos. Os escolhidos serão os indicados
em uma lista conforme ordem estabelecida pelo partido. Com isso, de acordo com o governo, os partidos seriam fortalecidos.
Financiamento de campanha
A idéia do governo é acabar com as contribuições privadas. Na proposta, a verba é distribuída
entre os partidos pela Justiça Eleitoral conforme a representatividade na Câmara dos Deputados. A intenção
seria evitar a vinculação entre financiador privado e político eleito.
Fidelidade partidária
A intenção é flexibilizar as decisões tomadas por Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo
Tribunal Federal (STF), que decidiram que os mandatos pertencem aos partidos. A proposta do governo é que haja um período
antes das eleições para que se troque de legenda sem prejuízo ao político.
Inelegibilidade
O projeto do governo é não esperar que as condenações sejam definitivas para impedir candidaturas.
Pelo anteprojeto já enviado ao Congresso, os candidatos ficariam impedidos de disputar as eleições se
tiverem condenações nas instâncias inferiores, ainda que caibam recursos posteriores. Atualmente, os candidatos
podem concorrer quando há possibilidade de recurso.
Coligações
As coligações para as eleições proporcionais passariam a ser vedadas. No caso das eleições
majoritárias, o candidato da coligação terá unicamente o tempo destinado ao partido com maior
representação na Câmara. Com isso, impediria que candidatos de coligações maiores tivessem
muito mais tempo do que os demais na propaganda eleitoral.
Cláusula de barreira
Tratada pelo governo de cláusula de desempenho, vedaria partidos com menos de 1% dos votos válidos assumirem
cadeiras. A medida prejudicaria os partidos menores, mas, segundo a justificação do governo, a medida contribui
para a "representatividade ideológica da sociedade no Parlamento".
FONTE: G1 (Mariana Oliveira)