A proposta de reforma eleitoral, protocolada na terça-feira (30) pelos líderes da Câmara, não
avançou na ampliação da participação feminina nas eleições. Medidas como
a obrigatoriedade do preenchimento das candidaturas e a punição dos partidos que não cumprirem a cotas
não foram aceitas na proposta que irá à votação.
A única proposta que entrou foi da vinculação de verba e tempo de tv para divulgação
de programas de incentivo para incentivar as mulheres a entrarem na política.
Segundo a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), a proposta deste grupo de parlamentares é bem
limitada, pois não considera as demandas dos movimentos sociais sobre alguns dos problemas no sistema de votação.
O movimento aponta como problemas a sub-representação das mulheres, a forma de financiamento das campanhas,
o desvirtuamento da representação proporcional no que se refere a representação federativa e a
exclusão dos espaços de poder provocada pelo racismo.
Por conta desses problemas, a AMB entrega
nesta quarta-feira, às 14h, uma proposta de iniciativa popular à Comissão de Legislação
Participativa da Câmara. Após a entrega do documento, que vai acontecer durante audiência pública,
as mulheres farão uma manifestação política.
Para a assessora de política fiscal e orçamentária do Instituto de Estudos Socioeconomicos (Inesc),
que também participa da audiência pública, Eliana Magalhães, a proposta a ser apresentada é
uma resposta aos anseios da sociedade brasileira e pretende corrigir distorções e promover mudanças significativas
em nosso sistema político, particularmente no que se refere à democracia direta e participativa.
No texto da reforma eleitoral, acabou entrando a proposta de vincular 10% dos recursos do Fundo Partidário para
a divulgação de campanhas para incentivar as mulheres a participar das disputas políticas. Também
foi colocado no texto que 20% do tempo partidário na televisão será destinado aos mesmos programas de
incentivo.
FONTE: Congresso em Foco