O Brasil precisa ampliar o acesso da população às informações sobre o que é feito
com o dinheiro público, indica a pesquisa Índice Latino-Americano de Transparência Orçamentária,
feita em 12 países da América Latina. Entre os Poderes da República, o menos transparente é o
Judiciário, de acordo com o levantamento.
O Brasil ficou em quarto lugar no ranking, com 49 pontos em uma escala de um (nada transparente) a cem (totalmente
transparente). Em primeiro lugar ficou a Costa Rica (69), seguida do Peru (54) e Panamá (50). A última participação
do Brasil no levamento foi em 2003, quando alcançou 50 pontos.
Esse índice é feito com base em um questionário padronizado enviado aos entrevistados. No Brasil,
foram ouvidas 86 pessoas, entre jornalistas da mídia impressa, sindicalistas, dirigentes de organizações
não-governamentais, acadêmicos e parlamentares integrantes da Comissão Mista de Orçamento do Congresso
Nacional.
O estudo no Brasil foi coordenado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em parceria com a organização
não-governamental mexicana Centro de Análise e Investigação (Fundar), que supervisionou o trabalho
nos 12 países.
De acordo com a pesquisa, dos Poderes da República, o Executivo é o mais transparente quanto ao Orçamento,
aprovado por 74% dos entrevistados. O Poder Legislativo fica com 11% e o Judiciário, com 4%.
Segundo a assessora de política fiscal e orçamentária do Inesc, Eliana Magalhães, o Judiciário
ainda não criou mecanismos para permitir transparência e a participação dos cidadãos. Ao
entregar nesta terça-feira (10/11) a pesquisa ao vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado
(PT-MG), ela disse que tentará marcar reunião com algum órgão do Poder Judiciário.
Para Eliana, é preciso vontade política para garantir ao cidadão o direito às informações
sobre o orçamento. “ A democracia tem que sair do ponto de vista formal de mero voto nas urnas e avançar
para participação do cidadão nas decisões que vão sendo tomadas. O governo não gera
recursos, recolhe da população. Então, é um direito saber onde o dinheiro está sendo
aplicado”, disse Eliana.
Ela acrescentou, entretanto, que hoje é possível conseguir informações
sobre o orçamento pela internet, o que não ocorria anteriormente. Mas ela sugere que haja mais debates dos parlamentares
com a população nos municípios na hora de definir o orçamento, além de ter audiências
públicas com a sociedade civil organizada.
Para o deputado o “processo de dar transparência ao orçamento no Brasil é recente” e por
isso, ainda não necessários ajustes. “O apoio do movimento popular, das organizações não
governamentais que acompanham a parte orçamentária do país tem ajudado a forçar a Câmara
a se abrir e o Congresso discutir esse assunto”. Machado acrescentou que é preciso fazer com que as informações
disponibilizadas sejam facilmente entendidas pela população.
Índice Latino-Americano de Transparência Orçamentária - 2009
(Escala de 1 a 100)
Costa Rica - 69
Peru - 54
Panamá - 50
Brasil - 49
México - 48
Argentina - 48
Colômbia
- 46
República Dominicana - 44
Guatemala - 44
Equador - 43
Bolívia - 42
Venezuela - 23
FONTE: Agência Brasil