A democracia está plenamente consolidada no Brasil. As instituições democráticas, entretanto, são vistas com extrema desconfiança
pelos cidadãos, que não confiam em partidos políticos, Congresso Nacional, governo, Justiça e polícia. E esta desconfiança
vem aumentando com o passar do tempo.
O aparente paradoxo, que aponta para o aumento da confiança na democracia e, ao mesmo tempo, para o crescimento da desconfiança
em suas instituições representativas, é a principal conclusão da pesquisa A Desconfiança dos Cidadãos das Instituições Democráticas,
coordenada pelos cientistas políticos José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP), e Rachel Meneguello, da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), que ouviu 2,004 mil pessoas de todas as regiões brasileiras. Os dados foram comparados com
estudos semelhantes feitos em 2000, 1997, 1993 e 1990. A adesão ao sistema democrático de governo chega a 83% de satisfeitos
na média dos últimos anos.
'Em síntese, fica demonstrado que as pessoas cada vez mais aderem à democracia, mas não confiam, na prática, em que suas
instituições possam melhorar a vida delas', explicou Moisés. A questão, de acordo com o estudioso, é a de que o Brasil se
converteu em uma democracia eleitoral, mas está longe de ser uma democracia efetiva, onde predominam temas como o primado
da lei, ou seja, a lei vale para todos, direitos civis e políticos e equilíbrio político. 'O recado é muito claro: os cidadãos
não se sentem, de forma alguma, representados por suas instituições', afirmou o pesquisador.
A desconfiança na atuação dos deputados e senadores - que acabaram de sofrer um enorme desgaste por conta da tentativa
de aumentar em 91% os seus salários - chegou a 59,7% dos entrevistados, que consideraram seu desempenho ruim ou péssimo, depois
de ter sido de 32,5% em 1997 e 39,1% em 2000. Por outro lado, a democracia alcança avaliações positivas que chegam a 64,8%
em 2006, ante 48,4% em 2000 e 56,4% em 1997. A pergunta da pesquisa neste sentido era se as pessoas preferiam a democracia
ou alguma forma de ditadura, como a volta do regime militar.
REPROVAÇÃO
NÚMEROS
FONTE: Moacir Assunção, O Estado de S. Paulo
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