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PALANQUE DE IDÉIAS
Desinteresse

Em Londrina, por exemplo, o número de adolescentes com título de eleitor em 1992 era 400% maior do que hoje

Em 1992, o Brasil contava com 1,8 milhão de eleitores de 17 anos, e 1,3 milhão de 16 anos. Em 2007, esse número caiu para 1,5 milhão e 500 mil - respectivamente. No Paraná, a redução seguiu o movimento nacional: os eleitores de 17 anos caíram de 117 mil para 77 mil, e de 16 anos, de 90 mil para 25 mil. Em Londrina, entre 2000 e 2007, os eleitores de 17 anos passaram de 4.490 para 2.192, e de 16 anos, de 2.339 para 578. Para reverter esse quadro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara campanha nacional. Nesta entrevista exclusiva à FOLHA, o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, creditou parte desse desinteresse aos escândalos que assolam o cenário político nacional.

Por que os eleitores jovens estão abandonando a política?

Em primeiro lugar, nossa população não envelheceu a ponto de ter essa queda na participação dos jovens nas eleições. Em segundo lugar, vivemos uma quadra impactante, em que dia a dia surgem novos desvios de conduta. O jovem precisa manter o idealismo, tem de perceber que nós só poderemos ter melhores dias a partir da escolha conscientizada de nossos representantes. Por isso, eles são uma força e precisam realmente estar engajados politicamente, comparecendo às eleições e escolhendo os representantes. É a palavra de estímulo que lanço. Hoje, já não se escamoteiam mais as mazelas do Brasil, elas afloram, as instituições estão funcionando, a Polícia Federal, as polícias civil e militar, o Ministério Público, o próprio Judiciário. Vamos dar um crédito de confiança aos nossos políticos e cobrar deles fidelidade a princípios.

Esse desinteresse dos jovens reflete o descrédito da classe política?

O princípio da causalidade revela que nada surge sem causa, sem motivação. O que constatamos não é agradável, conduz a uma certa decepção. Agora, não podemos nos abater ou abraçar a apatia.

A atual geração tem algo de diferente em relação às gerações anteriores - ou o Brasil será sempre o país do futuro?

Confio inteiramente nesta geração. E graças aos veículos de comunicação, os problemas nacionais chegam à população. O jovem é apegado a princípios, ele não pensa apenas nos interesses próprios. Precisamos partir para uma ênfase, o coletivo, ou seja, o bem-estar geral. Acredito que o jovem estará engajado nesse objetivo.

O TSE planeja ações para incentivar a participação dos jovens na política?

Teremos em rádio e tv a veiculação dessa idéia, cobrando do jovem o que ele realmente pode dar, visando o crescimento nacional. A TV Cultura, que nos dá apoio, debruçou-se nessa matéria e está nos apresentando os filmetes que irão ao ar.

Eleições 2008. Há alguma perspectiva de mudança?

O TSE realmente já está preparando as eleições 2008. E esse período que vivenciamos nos últimos dois anos é alvissareiro, um período em que se cobrou dos políticos um apego maior às regras estabelecidas. A legislação buscou dar uma ênfase maior ao perfil do candidato, e não ao marketing e à propaganda enganosa. Estamos sendo muito rigorosos com o abuso do poder econômico, dos meios de comunicação e do poder político, e exercendo um crivo severo quanto à prestação de contas. Afastamos, por exemplo, a aprovação das contas com ressalva, que não era aprovação evidentemente, e revisamos algumas situações jurídicas que eram admitidas. Por exemplo, rejeitadas as contas do administrador pela corte, bastava ao administrador entrar em juízo para afastar a inelegibilidade. Agora, passamos a exigir uma liminar, ou pelo menos uma tutela antecipada.

A próxima eleição será mais limpa?

Sem dúvida, as eleições municipais de 2008 serão um grande laboratório. E que vençam os melhores, aqueles que queiram ocupar um cargo público não para se servirem dele, mas para servir ao semelhante

Fábio Cavazotti, Folha de Londrina




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