Em que pese vivermos a era da comunicação, o entendimento entre as autoridades e a população tem apresentado dificuldades evidentes. Por décadas a
linguagem econômica dominou os meios de formação de opinião, introduzindo um novo vocabulário: balanço de pagamentos, viés,
déficit em conta corrente, flutuação cambial e outros. A linguagem escrita
dos médicos ganhou notoriedade pela necessidade de decodificar a receita, para entender. E os engenheiros também tiveram o seu momento; há algum tempo, aqui no IEP, um palestrante anunciou o tema que seria abordado na sua palestra: dizia que iria discorrer sobre uma
estrutura de extensão infinita, apoiada sobre solos de diferentes granulometrias,
e, submetida a esforços imponderáveis... - Ora, não seria mais simples ele dizer que falaria de estradas??? Mais recentemente temos observado o recurso dos termos chulos, ou expressões que agridem
a linguagem básica escolar, para ..facilitar .. a comunicação com as pessoas mais simples; neste caso estão prestando serviço
para a deseducação das pessoas. Na realidade, nós temos negligenciado
a linguagem simples e direta como forma de expressão. Tomamos hoje por
empréstimo, alguns trechos da aula de mestre do professor da UERJ, Weber Figueiredo,
que discursou sobre o Brasil: "Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma
de direito, talvez eu falasse a importância do advogado que defende a justiça
e não apenas o réu. Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de medicina, talvez eu falasse da importância do médico que coloca o amor ao próximo acima dos seus lucros profissionais. Mas, como sou paraninfo de uma turma de engenheiros, vou falar da importância do engenheiro
para o desenvolvimento do Brasil. Para começar, vamos falar de bananas e
do doce de banana, que eu vou chamar de bananada especial, inventada (ou
projetada) pela nossa vovozinha lá em casa, depois que várias receitas prontas não deram certo. É isso mesmo. Para entendermos
a importância do engenheiro vamos falar de bananas, bananadas e vovó. A
banana é um recurso natural, que não sofreu nenhuma transformação. A bananada é = a banana + outros ingredientes + a energia
térmica fornecida pelo fogão + o trabalho da vovó e + o conhecimento, ou tecnologia da vovó. A bananada é um produto
pronto, que eu vou chamar de riqueza. E a vovó? Bem a vovó é a dona
do conhecimento, uma espécie de engenheira da culinária. Agora, vamos
supor que a banana e a bananada sejam vendidas. Um quilo de banana custa um real. Já um quilo da bananada custa cinco reais. Por que essa diferença de preços? Porque quando nós colhemos
um cacho de bananas na bananeira, criamos apenas um emprego: o de colhedor
de bananas. Agora, quando a vovó, ou a indústria, faz a bananada, ela
cria empregos na indústria do açúcar, da cana-de-açúcar, do gás de cozinha, na indústria de fogões, de panelas, de colheres
e até na de embalagens, porque tudo isto é necessário para se fabricar a
bananada. Resumindo, 1kg de bananada é mais caro do que 1kg de banana porque
a bananada é igual banana mais tecnologia agregada, e a sua fabricação criou mais
empregos do que simplesmente colher o cacho de bananas da bananeira... Quanto
mais tecnologia agregada tem um produto, maior é o seu preço, mais empregos foram gerados na sua fabricação. É importante compreendermos que os
donos dos projetos tecnológicos são os donos das decisões econômicas, são os donos do dinheiro, são os donos das riquezas
do mundo... São reflexões simples e diretas, como o são os fatos da vida.
Por isso defendemos o Lactec; porque entendemos que o Brasil não é uma república
de bananas.
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